Por que o sal empedra

Você abre o pote e o sal virou um bloco. Antes de pensar que estragou, vale saber que aquilo é física, e que o torrão conta muito sobre como o sal foi feito.
Sal gosta de água
O sal é higroscópico: ele puxa a umidade do ar. Quando a umidade passa de mais ou menos 75%, o cloreto de sódio começa a absorver tanta água que se dissolve na própria superfície[1]. Em boa parte do litoral brasileiro, isso acontece em muitos dias do ano.
Como o torrão se forma
A água condensa nos pontos em que um grão encosta no outro, dissolve um pouco de sal ali e forma uma pontinha de salmoura. Quando o ar seca, essa salmoura cristaliza de novo e vira uma ponte sólida entre os grãos. Depois de alguns ciclos de úmido e seco, as pontes viram um bloco[2].
Por que o sal marinho empedra mais
O estudo que descreveu esse processo comparou vários sais de cozinha. O sal marinho, que carrega mais componentes do mar além do cloreto de sódio, começou a absorver água numa umidade mais baixa que os outros e formou os torrões mais firmes[2].
O sal refinado escapa disso com antiumectante, um aditivo que o padrão internacional de sal para alimentos permite justamente pra manter o grão solto[3].
Sal que nunca empedra passou por alguma coisa pra ficar assim.
Como guardar
- Pote bem fechado. Vidro ou cerâmica com tampa de rosca ou de vedação.
- Longe do vapor. Nada de deixar ao lado do fogão, da chaleira ou da pia.
- Colher seca. Colher molhada leva água pra dentro do pote.
- Empedrou? Solte com um garfo. O sal continua o mesmo.
O nosso empedra?
Pode empedrar, sim, se ficar aberto num lugar úmido. O sal OceaniQ é seco ao sol e ao vento, não leva antiumectante e mantém uma umidade natural que é difícil de achar no mercado. Por isso ele pede um pote fechado. Em troca, chega na sua mesa do jeito que saiu da salina.
Fontes
- Greenspan, Lewis. Humidity Fixed Points of Binary Saturated Aqueous Solutions. Journal of Research of the National Bureau of Standards, v. 81A, n. 1, p. 89-96, 1977. Umidade de equilíbrio da solução saturada de cloreto de sódio: 75,3% a 25 °C. nvlpubs.nist.gov/nistpubs/jres/81A/jresv81An1p89_A1b.pdf
- Doh, H.; Lee, M. H.; Park, H. J. Investigation of the moisture-induced caking behavior with various dietary salts. Journal of Food Engineering, v. 241, p. 67-74, 2019. doi.org/10.1016/j.jfoodeng.2018.08.001
- Codex Alimentarius (FAO/OMS). Standard for Food Grade Salt, CXS 150-1985. www.fao.org/input/download/standards/3/CXS_150e.pdf



