Na cozinha13 de outubro de 20262 min de leitura

Por que o sal empedra

Pouches de Sal Marinho Integral OceaniQ na prateleira da despensa

Você abre o pote e o sal virou um bloco. Antes de pensar que estragou, vale saber que aquilo é física, e que o torrão conta muito sobre como o sal foi feito.

Sal gosta de água

O sal é higroscópico: ele puxa a umidade do ar. Quando a umidade passa de mais ou menos 75%, o cloreto de sódio começa a absorver tanta água que se dissolve na própria superfície[1]. Em boa parte do litoral brasileiro, isso acontece em muitos dias do ano.

Como o torrão se forma

A água condensa nos pontos em que um grão encosta no outro, dissolve um pouco de sal ali e forma uma pontinha de salmoura. Quando o ar seca, essa salmoura cristaliza de novo e vira uma ponte sólida entre os grãos. Depois de alguns ciclos de úmido e seco, as pontes viram um bloco[2].

Por que o sal marinho empedra mais

O estudo que descreveu esse processo comparou vários sais de cozinha. O sal marinho, que carrega mais componentes do mar além do cloreto de sódio, começou a absorver água numa umidade mais baixa que os outros e formou os torrões mais firmes[2].

O sal refinado escapa disso com antiumectante, um aditivo que o padrão internacional de sal para alimentos permite justamente pra manter o grão solto[3].

Sal que nunca empedra passou por alguma coisa pra ficar assim.

Como guardar

  • Pote bem fechado. Vidro ou cerâmica com tampa de rosca ou de vedação.
  • Longe do vapor. Nada de deixar ao lado do fogão, da chaleira ou da pia.
  • Colher seca. Colher molhada leva água pra dentro do pote.
  • Empedrou? Solte com um garfo. O sal continua o mesmo.

O nosso empedra?

Pode empedrar, sim, se ficar aberto num lugar úmido. O sal OceaniQ é seco ao sol e ao vento, não leva antiumectante e mantém uma umidade natural que é difícil de achar no mercado. Por isso ele pede um pote fechado. Em troca, chega na sua mesa do jeito que saiu da salina.

Fontes

  1. Greenspan, Lewis. Humidity Fixed Points of Binary Saturated Aqueous Solutions. Journal of Research of the National Bureau of Standards, v. 81A, n. 1, p. 89-96, 1977. Umidade de equilíbrio da solução saturada de cloreto de sódio: 75,3% a 25 °C. nvlpubs.nist.gov/nistpubs/jres/81A/jresv81An1p89_A1b.pdf
  2. Doh, H.; Lee, M. H.; Park, H. J. Investigation of the moisture-induced caking behavior with various dietary salts. Journal of Food Engineering, v. 241, p. 67-74, 2019. doi.org/10.1016/j.jfoodeng.2018.08.001
  3. Codex Alimentarius (FAO/OMS). Standard for Food Grade Salt, CXS 150-1985. www.fao.org/input/download/standards/3/CXS_150e.pdf

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